A Concertação Social enquanto instrumento democrático onde as várias estruturas representativas da sociedade portuguesa deveriam "concertar" posições, está cada vez mais parecida com o deserto do Sahara, onde até as belas palmeiras, que costumam trazer alguma frescura ao tórrido ambiente desértico, foram substituídas por enormes eucaliptos, secando até à última gota o que sobra do dialogo social que tanto contribuiu para os avanços civilizacionais do nosso país.
Parece já longínquo o tempo em que apesar das diferenças ideológicas, os Governos ainda tinham a capacidade e sentiam a necessidade de se sentar à mesa das negociações com uma abertura de espírito suficiente para poder encarar estas reuniões conforme aquilo que deveriam ser, a apresentação, a discussão e a concertação de posições.
Hoje, e sob a capa do acordo com Troika, o Governo sente-se legitimado para impor a sua postura de "quero, posso e mando", avançando a passos largos com a sua agenda ideológica, transformando a concertação social numa comédia digna dos melhores palcos da "stand-up", com a diferença do "grand final" ser ilustrativo da mais dramática tragédia grega.
Resta-nos o apelo ao esperado e desejado bom senso e ao sentido de Estado dos parceiros sociais para que apesar desta atitude "eucalíptica" do Governo, consigam devolver a este país, os valores éticos e republicanos que construíram a nossa sociedade.

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