17 horas de negociação trouxeram à luz do dia um acordo em sede de concertação social, onde mais uma vez coube exclusivamente à UGT a responsabilidade da tentativa de minimização do avanço da agenda ideológica do Governo, no que diz respeito à desregulação do mercado de trabalho.
Enquanto uns estavam empenhados e democraticamente assumiram a sua posição negocial, outros, numa clara fuga para a frente, abdicaram da defesa dos seus filiados e dos trabalhadores em geral, numa atitude "avestruziana" de quem prefere enfiar a cabeça na areia, fingindo o desconhecimento da realidade económica que o país atravessa.
A escolha era simples, tentar forçar um acordo, e desta forma responsabilizar e vincular o Governo a um acordo escrito (visto que no que diz respeito ao cumprimento da palavra oral, este Governo já deu provas de ter muitas dificuldades em cumprir) ou deixar à mercê do Governo e das confederações patronais o monopólio da definição do rumo que o mercado laboral deve tomar, lembrando para o efeito a tentativa do Governo no aumento do horário de trabalho não remunerado ( a questão da "meia-hora") e as propostas da CIP que visavam a redução até 20% do horário de trabalho e a equivalente redução do salário.
Com a certeza de que em tempo de crise económica, vale mais um acordo defensivo, preservando e defendendo, dentro do possível e dentro das competências de uma central sindical, os interesses dos trabalhadores, do que um não-acordo, saliento a atitude responsável da UGT, que desta forma manteve aberta a porta do diálogo social, deixando à opinião pública e à população em geral, a avaliação das políticas que apenas a este Governo dizem respeito e que está a definir para o país.

Grande lucidez. Muito bem.
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