terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Quando "Acordar" significa "Responsabilizar"

17 horas de negociação trouxeram à luz do dia um acordo em sede de concertação social, onde mais uma vez coube exclusivamente à UGT a responsabilidade da tentativa de minimização do avanço da agenda ideológica do Governo, no que diz respeito à desregulação do mercado de trabalho.

Enquanto uns estavam empenhados e democraticamente assumiram a sua posição negocial, outros, numa clara fuga para a frente, abdicaram da defesa dos seus filiados e dos trabalhadores em geral, numa atitude "avestruziana" de quem prefere enfiar a cabeça na areia, fingindo o desconhecimento da realidade económica que o país atravessa.

A escolha era simples, tentar forçar um acordo, e desta forma responsabilizar e vincular o Governo a um acordo escrito (visto que no que diz respeito ao cumprimento da palavra oral, este Governo já deu provas de ter muitas dificuldades em cumprir) ou deixar à mercê do Governo e das confederações patronais o monopólio da definição do rumo que o mercado laboral deve tomar, lembrando para o efeito a tentativa do Governo no aumento do horário de trabalho não remunerado ( a questão da "meia-hora") e as propostas da CIP que visavam a redução até 20% do horário de trabalho e a equivalente redução do salário.


Com a certeza de que em tempo de crise económica, vale mais um acordo defensivo, preservando e defendendo, dentro do possível e dentro das competências de uma central sindical, os interesses dos trabalhadores,  do que um não-acordo, saliento a atitude responsável da UGT, que desta forma manteve aberta a porta do diálogo social, deixando à opinião pública e à população em geral, a avaliação das políticas que apenas a este Governo dizem respeito e que está a definir para o país.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Secar o diálogo social

A Concertação Social enquanto instrumento democrático onde as várias estruturas representativas da sociedade portuguesa deveriam "concertar" posições, está cada vez mais parecida com o deserto do Sahara, onde até as belas palmeiras, que costumam trazer alguma frescura ao tórrido ambiente desértico, foram substituídas por enormes eucaliptos, secando até à última gota o que sobra do dialogo social que tanto contribuiu para os avanços civilizacionais do nosso país. 

Parece já longínquo o tempo em que apesar das diferenças ideológicas, os Governos ainda tinham a capacidade e sentiam a necessidade de se sentar à mesa das negociações com uma abertura de espírito suficiente para poder encarar estas reuniões conforme aquilo que deveriam ser, a apresentação, a discussão e a concertação de posições.

Hoje, e sob a capa do acordo com Troika, o Governo sente-se legitimado para impor a sua postura de "quero, posso e mando", avançando a passos largos com a sua agenda ideológica, transformando a concertação social numa comédia digna dos melhores palcos da "stand-up", com a diferença do "grand final" ser ilustrativo da mais dramática tragédia grega.

Resta-nos o apelo ao esperado e desejado bom senso e ao sentido de Estado dos parceiros sociais para que apesar desta atitude "eucalíptica" do Governo, consigam devolver a este país, os valores éticos e republicanos que construíram a nossa sociedade.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

A roda viva da Austeridade

De austeridade em austeridade, o Governo vai querendo convencer-nos, que a única e inevitável solução para o país é de cortar como se não houvesse amanha, naquilo que foram os direitos conquistados, principalmente pelo estrato social mais desprotegido, ao longos dos últimos 35 anos.

Se por um lado, e só o maior dos irresponsáveis ou demagogo foleiro ou poderia negar, é necessário um maior equilíbrio das contas públicas, por outro lado, esse equilíbrio não pode/deve ser conseguido constantemente à custa dos mesmos, à custa daqueles que não conseguem fugir (qual Jerónimo Martins qual quê, entre outras...), não pode/deve ser conseguido constantemente à custa dos que trabalham por conta de outrem.

Para além da desenfreada carnificina às "despesas" do Estado Social, o caminho seguido aponta ainda um empobrecimento generalizado para compensar o facto de o Estado português já não poder desvalorizar a Economia nacional através da desvalorização da moeda, seguindo à risca a receita, falhada diga-se, aplicada à Grécia.

Hoje, segundo notícias vindas a público, o Governo de Passos Coelho já está a trabalhar num cenário de mais medidas de austeridade para este ano, no valor de 0,3% do PIB - o equivalente a 520 milhões de euros.

No fundo, continua esta roda viva da austeridade desmedida, que apenas contribuirá para aumentar o desemprego, reduzir o rendimento disponível e atirar a responsabilidade da protecção social para as mãos dos privados, com as dramáticas consequências que daí advirão, lançando a classe média para o abismo e com ela o país.

Vão sem mim, que eu vou lá ter...

Vão sem mim...

...que eu vou lá ter! 

De regresso à blogosfera, este espaço pretende ser um local de discussão, de opinião livre e de intervenção, na certeza de que a pluralidade das ideias é o maior contributo que o Homem pode oferecer a quem o rodeia.

"Quando todos pensam da mesma forma é porque ninguém está a pensar." - Walter Lippman